Criadora experiênte, Dona Glória, como é conhecida, é a única criadora de chows e árbitra da CBKC.
Quando você viu um Chow pela primeira vez e porquê decidiu criá-los?
Conheci dois Chow –Chows em 1960 na Espanha, quando ainda criança, na casa de uma amiga minha. O pai dela que era diretor de cinema trouxe-os da Inglaterra. Eram totalmente exóticos naquela época e ninguém tinha visto nunca um exemplar. A mim, me pareciam mais dois leões e eu costumava ficar horas espiando-os por uma janela, admirando, completamente apaixonada.
Anos depois no Brasil, já criando Collie por volta de 1978 voltei a ve-los numa revista Americana e decidi que tinha que ter um exemplar de alguma maneira.
Como foi o início da criação? Quem o orientou? De onde vieram os cães?
Infelizmente quando comecei não tinha ninguém para me orientar, não se sabia quase nada da raça e foi realmente muito difícil.
Em 1981 fiz uma grande pesquisa para poder comprar um exemplar e em 1982 soube de uma pessoa em São Paulo que tinha importado um de USA e que teria uma ninhada. Comprei uma fêmea dessa pessoa para pista e reprodução, mas não tinha a língua totalmente azul e fui enganada ao me garantir que a língua mancharia com o tempo.
Depois em 1983 consegui comprar outra fêmea (desta vez com a língua azul) e tive a sorte de poder cruzá-la com um maravilhoso exemplar Inglês que por acaso se encontrava no Brasil sòmente por uns meses para fazer campanha em Exposições.
Naquela época como não tinha muita opção, pois, não havia quase criadores no Brasil, fomos obrigados a viajar ao USA, para poder continuar a criação. Compramos 3 exemplares dos melhores canis na época, visando as melhores linhas de sangue nas cores vermelho e creme.
Houve épocas em que me vi sozinha criando a raça e foi bem difícil, inclusive quase desisti várias vezes pelas dificuldades de cria-las. Não tínhamos quem fizesse inseminação, a maioria das vezes eram feitas na própria USP e somente tinha um veterinário que estava se especializando nisso, por isto quase todas as crias falhavam.
Anos depois as coisas melhoraram muito, minha própria filha se formou em veterinária e se especializou em inseminação, outras pessoas começaram a criar e importaram mais exemplares que nos deram mais opções para continuar e melhorar a criação.
O quê vc considera fundamental para a realizar uma criação séria e bem sucedida?
Em principio deixar claro que esta raça não é de criação fácil; tem que se amar muito o Chow e ter um grande espírito de sacrifício para cria-lo, depois a pessoa que começa, deve estudar muito sobre o padrão e se puder, tentar se orientar com os criadores mas antigos, que sempre poderão ajudar.
Como você avalia a qualidade do plantel nacional atualmente, pontos fortes e fracos?
Está melhorando muito com respeito a aparência geral: cabeça, pelagem e temperamento, mas me preocupa muito a baixa estatura que alguns exemplares têm, estamos com uma média de altura mas baixa do que o padrão mínimo requer.
Os criadores têm que tomar consciência deste problema da raça e procurar começar a ficar com os exemplares maiores para reprodução e não os menores. Senão daqui a pouco, teremos o Micro Chow.
Qual foi o melhor momento na criação?
Depois de tantos anos já tive momentos de muita felicidade com eles, mas acho que o momento mais emocionante da minha vida de criadora, foi ver na Exposição Mundial de 2004 um dos melhores juizes do mundo EDD BIVIN (EUA) dar a “raça” para o exemplar da minha criação SHAMBALA RAJAH (de propriedade de Marcelo Shimoda) e depois um outro juiz conceituadíssimo Sr. DAVID OJALVO (Argentina) fazer o mesmo, e finalmente outro juiz conhecido e admirado por todos ERMANO MANIERO ( Presidente do Conselho de juizes da FCI para Américas e Caribe ), julgando o grupo na Mundial, dar para ele o terceiro lugar entre as 26 raças finalistas do quinto grupo.
Quais as perspectivas para o Shambala para o final de 2004 e 2005?
Vamos continuar trabalhando e tentando melhorar como sempre, torcendo pelos amigos que têm nossos exemplares e se tudo der certo, iremos todos juntos à Mundial da Argentina.
Quais Chows você acredita que merecem destaque no Brasil?
Teve dois Chows que marcaram uma época e o começo da criação no Brasil:
MEDLEY´S MUFASA (Importado pelo meu canil e o Pai- Ícone da minha criação) MY-SAM´S EMERALD KNIGHT (Importado pela Fernanda de Moraes)
Depois tem outros dois criadores de grande destaque como Paulo Clerice e Ademar Rigueira que importaram lindos exemplares com qualidades para a melhoria da criação nacional.
Como você define um Chow?
O Chow é um cão que nunca passa despercebido, ele é incrivelmente belo e harmonioso, com um temperamento muito especial que faz dele um ser único e fácil de ser amado.
O que ainda falta para que o Chow seja melhor divulgado?
Não me preocupa em nada que o Chow não seja mais divulgado pois, não gosto da excessiva popularidade de uma raça, isto sempre traz muitos problemas para ela. O Chow é de por si só, um cão que chama a atenção. É só os criadores criarem direito e com cuidado, que é o suficiente para ele se impor e tornar-se conhecido.
Conforme dados da OFA, a displasia é um grave problema na raça. Como reverter este quadro?
Todo criador deve fazer a chapa de displasia (num lugar idôneo) dos seus exemplares para uso na reprodução. Deve afastar da sua criação os que tenham este problema.
Quais as dicas que você pode dar a quem está interessado em adquirir um Chow?
Em primeiro lugar que estude profundamente a raça que vai adquirir. O Chow não se adapta bem com desconhecidos, então se for viajar, é bom acostumá-lo com alguém que irá ficar com ele desde pequeno. Deve ter em conta que terá que sociabilizá-lo. O Chow não é cachorro para deixar e esquecer no quintal; ele necessita da companhia dos donos e de sentir-se amado.
O Chow é um cachorro amável, silencioso, limpo e fiel como nenhum outro, portanto se bem tratado e dedicar-lhe um pouquinho de seu tempo, ele lhe dará muita alegria e felicidade!