Entrevista - Alexandre Troiano - Criador e Proprietário do Canil Hokaio Islands
Introdução
Um jovem criador, mas extremamente comprometido com a criação séria e correta da raça. Dono de um plantel excelente. Agora ele nos conta um pouco de sua criação e dele mesmo
Quando você viu um chow pela primeira vez e por que decidiu criá-los?
Desde pequeno sempre tive animais. Nos anos 90 conheci o Chow Chow de um amigo, comecei a me interessar por aquele cão lindo e que não agia como um cão. Encantei-me rapidamente e logo adquiri uma fêmea.
Como foi o início da criação? Alguém orientou? De onde vieram os cães?
Como tudo que se faz na vida, o começo é sempre bem difícil. Pesquisei o máximo que pude, mas encontrei muito pouco. Então errei muito e fui passado para trás algumas vezes, mas aos poucos fui aprendendo. Com o tempo o acesso à informação foi aumentando e as coisas foram se acertando.
O que é fundamental para se ter uma criação séria e bem sucedida?
É Informação. Conhecer profundamente a raça, não só o padrão oficial, mas também o que é consenso entre os grandes criadores em todo o mundo. Conhecer os pedigrees dos cães que pretende acasalar, não só pai e mãe, mas 5 ou 6 gerações. Se preocupar muito com os problemas que a raça pode apresentar, afastando da criação cães com tais defeitos. Enfim, ter consciência que o trabalho do criador é perpetuar as características da raça.
Como você avalia a qualidade do plantel nacional atualmente, pontos fortes e fracos?
Eu diria que o plantel brasileiro é muito bom. Evoluiu muito nos últimos anos, mas infelizmente ainda se vêem muitos chows totalmente fora do padrão. No plantel de chows do Brasil tem cães que não deixam nada a desejar aos melhores do mundo. O ponto fraco é a heterogeneidade, tínhamos que ter uma criação mais homogênea.
Qual foi o melhor momento na criação?
Eu acredito que cada nova ninhada é uma nova emoção, uma nova perspectiva, é a ansiedade em ver se os estudos que levaram a aquele acasalamento estava certos. Cada ninhada é o melhor momento.
Quais as perspectivas do Hokaio Islands para 2007?
Continuar com o trabalho, que acredito, seja o mais importante, o de conscientização das pessoas. Os maus criadores só existem por que a maioria das pessoas não tem conhecimento da importância do trabalho feito pelos bons criadores. Essas pessoas compram cães por impulso e geralmente se arrependem depois. Também pretendemos voltar às exposições, já que 2006 não participamos destes eventos e certamente importar novos chows.
Quais chows você acredita que merecem destaque no Brasil?
Existem chows muito bons no Brasil. Acredito que um mereça destaque especial pela importância da sua conquista, o Ayran Hong Jamal Black Tiger, que foi considerado o 2º melhor chow chow dos EUA em 2005. Para quem não sabe os EUA tem o melhor plantel de chows do mundo, e o fato de um chow nascido no Brasil ter alcançado esta façanha engrandece nossa criação e com certeza nos abre portas, para que possamos ser mais respeitados a nível internacional.
Como você define um chow?
Em uma só palavra? (risos). FANTÁSTICO!!!
O que ainda falta para que o chow seja melhor divulgado?
Acho que não falta divulgação. A divulgação em si é ruim para qualquer raça. O que falta, na minha opinião, é conscientização das pessoas e informação mais acessível.
O site Chow Chow Brasil faz isso e muito bem, mas tínhamos que fazer mais. Não é só com o chow que acontece isso, acho que todo criador deveria se preocupar. A maioria dos criadores sonega informação e isso não é bom.
Quais as dicas que você pode dar a quem está interessado em adquirir um chow?
Comprar um bom chow chow é difícil, a pessoa tem que pesquisar muito, jamais comprar por impulso. É fundamental que ela conheça as características da raça para analisar se é isso que ela realmente deseja.
Pesquisar bastante e ter paciência para adquirir o cãozinho certo, e aí sim, eu garanto, vai valer a pena.