Ao longo dos anos de criação verifiquei que vários criadores ao redor do
mundo praticavam um forma de venda um tanto quanto incomum e que acreditava
que não daria certo no país por uma série de fatores. Entretanto, após
trocar idéias com eles e adicionando a experiência adquirida ao longo do
tempo, adquiri uma nova visão sobre tais práticas.
Nos EUA principalmente, os principais criadores dividem seu filhotes em
duas categorias, pet e show. Entendia que os filhotes Pet eram os filhotes
que possuiam algum desvio no padrão da raça, tanto por questões de
tipicidade quanto em temperamento. Se alguma característica fugisse ao
desejado, então o filhote seria classificado como Pet, caso contrário seria
Show, ou seja, um filhote perfeito. Mas a classificação não necessariamente
segue essa linha, embora exista sim, uma avaliação por parte do criador
sobre a potencialidade do filhote.
O que é significativamente importante é a intenção pela qual o futuro
proprietário deseja adquirir o animal. Se ele deseja participar de
exposições ou mesmo utilizá-lo em acasalamentos, somente um exemplar show
poderia atender aos requisitos. O criador seleciona, na ninhada, os
exemplares que poderão levar seu nome para as pistas e que representem bem
a qualidade alcançada pelo canil frente a comunidade chowista e aos
descentente gerados pelo exemplar. Claro que esse filhotes possuem valores
diferenciados.
Já um filhote Pet, poderia até mesmo ter várias características que o
classificariam como show, entretanto, se o seu proprietário não desejar
efetuar uma aquisição visando exposições ou reproduções, poderá buscar um
filhote saudável, mas sem classificação de show. Nesse caso ele se
compromete a castrá-lo para que eventuais características indesejadas não
sejam expostas nas exposições e que não gerem filhotes que podem
potencializar problemas se o acasalamento não for realizado com qualidade.
O pedigree somente seria entregue com o laudo veterinário de que o cão fora
castrado.
No país, sempre duvidei que essa prática desse resultados significativos,
mas hoje vejo que podemos melhoras alguns pontos, caso os bons criadores
adotem essas práticas:
1) A tendência de chows com desvios de temperamento serem acasalados e
passarem problemas adiante é reduzida significativamente, contribuindo para
uma melhor imagem da raça junto a todos.
2) A criação fica restrita a criadores que possuem conhecimentos técnicos
para efetuarem os acasalamentos com bom planejamento.
3) O número de bons chows seria incrementado em relação ao total,
contribuindo para a melhorar a imagem da raça;
4) Maior conscientização dos novos proprietários com relação às
responsabilidades da aquisição.
Entretato ainda prevejo que haverá resistência, pois não estamos
completamente acostumados a efetuar a aquisição de cães de bom nível
pagando valores próximos ao justo para cães inteiros (não castrados),
imagino como será quando forem castrados!
A prática de venda de filhotes está completamente indiscriminada no país,
há chows sendo vendido em supermercados! Chows oriundos de criações pra lá
de duvidosas. Acredito que com a prática de seleção da intenção de
aquisição por parte do futuro proprietário, as chances da qualidade do
plantel nacional aumentar são boas.